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Edição de 26 de outubro de 2026

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CORREIO DO ESTADO QUINTA-FEIRA, 15 DE OUTUBRO DE 2026

GIBA UM

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CORREIO B

5

O bilionário Rubens Ometto, que mais Mais: Levi Oliveira (PP) recebeu uma doauma vez aparece como o maior doador ção de R$ 500 mil, mas ficou apenas na da eleição, não consegue eleger seus suplência para deputado federal por Serpupilos, que receberam uma bolada. gipe. O mesmo destino teve Marcelo Ran- Além dos candidatos, ele também gel (PSD), que recebeu R$ 300 mil de garantiu recursos aos partidos. Ometto, só que na suplência pelo Paraná.

“Estelionato eleitoral”

Olho na referência

Flávio Bolsonaro promete ao mercado financeiro um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões nos primeiros 18 meses de governo. Garante que não cortará benefícios sociais, não mexerá nas aposentadorias nem reduzirá recursos para Saúde e Educação. Nesta semana, anunciou voto favorável ao fim da escala 6 x 1 e prometeu que o governo bancará parte da conta dos empresários. Para Vera Magalhães, as promessas dificilmente serão cumpridas. Ou ele vende ao mercado um ajuste que não pretende fazer, ou esconde os sacrifícios que pretende impor. Nenhuma das hipóteses é tranquilizadora, e ambas podem ser traduzidas como “estelionato eleitoral”.

Uma das referências desse trabalho é a base Political Parties, Presidents, Elections and Governments, organizada por Werner Krause, Raphael Doring e Julia Stoppe, do WZB Berlin Social Science Center, na Alemanha. O banco reúne 402 eleições presidenciais em 73 países, realizadas entre 1942 e 2025. Em um recorte de 161 disputas em 34 países, todas com segundo turno, os dados permitem acompanhar os finalistas. O candidato que havia terminado atrás venceu 51 vezes, e a taxa de viradas foi de 31,7%. O dado interessante, porém, aparece quando as eleições são separadas pela distância entre os concorrentes na primeira votação.

Lula está pensando no poder, não está pensando no trabalhador. Se pensasse no trabalhador, já teria reduzido a carga tributária sobre a folha de pagamento”

Flávio Bolsonaro, que resolveu apoiar a PEC do fim da escala 6 x 1, já planejando derrubá-la no ano que vem

Mudando de lado 1

Acompanhando as mudanças de opinião – se é que se pode chamar assim – de Flávio Bolsonaro, o analista Bernardo Mello Franco prefere dizer que ele vive de “conversão”. Agora, depois de considerar a proposta de acabar com a escala 6 x 1 “inoportuna e eleitoreira” e afirmar que teria “grande carga de hipocrisia”, causando “desemprego em massa”, votou a favor da redução da jornada de trabalho. Na semana passada, o mesmo Flávio chamava a proposta de “oportunista”. Mudou de ideia depois de visitar o pai, que dita as ordens para o filho e sua campanha enquanto cumpre prisão domiciliar em Brasília. Fará o mesmo se o “01” virar presidente.

Mudando de lado 2

Quem acompanha as mudanças e as incompetências do candidato Flávio Bolsonaro pode até colecioná-las. Ele já chamou o Bolsa Família de “bolsa farelo” e hoje promete ampliar o programa de transferência de renda. Também chamou a Farmácia Popular de “politicagem” e agora diz que não acabará com a distribuição de remédios, mas não cita o programa em seu plano de governo. Até a mudança desta semana na proposta da escala 6 x 1, chamava as leis trabalhistas de “estorvo” e repetia, em seu programa registrado na Justiça Eleitoral, que “o País precisa se posicionar contra a República sindical”, expressão antiga usada há décadas contra João Goulart.

6 x 1 será enterrada

O candidato Flávio Bolsonaro já está com outro esquema preparado para, se for eleito, adotar uma estratégia que permita ao projeto de jornada flexível apresentado pelo senador Rogério Marinho (PLRN) se sobrepor à PEC. Parlamentares da sigla têm procurado interlocutores do mercado financeiro para transmitir o recado de que, mesmo com Flávio voltando atrás, uma saída alternativa será construída. O plano é que, com o apoio da maioria do Senado a partir de 2027, o PL e o presidente trabalhem para aprovar o projeto de Marinho, que oferece aos trabalhadores uma jornada baseada em horas.

Soltando a voz

Quem disse que uma artista consagrada não pode começar de novo? A atriz Malu Galli troca o conforto dos personagens pelo desafio de cantar como protagonista. Ela fez sua estreia musical em carreira solo com uma homenagem a Luiz Melodia e ao álbum “Maravilhas Contemporâneas”, que completa 50 anos. Apaixonada por música desde a adolescência, quando colecionava discos de MPB, rock, soul e jazz, Malu já havia cantado em uma banda aos 18 anos e em peças teatrais. Agora, porém, a voz é dela, sem personagem para dividir a responsabilidade. “Desde a pré-adolescência, eu sempre fui muito musical. Era rata de sebo”. E completa: “Sou eu e a minha relação com aquela música, com aquela banda, com a plateia”. Comparar-se a Melodia? “Impossível. Nem que eu nas-

cesse três vezes”. Sobre a nova fase: “Me sinto uma debutante por um lado e uma macaca velha de palco por outro”. Com direção musical de Rômulo Fróes, o espetáculo reúne canções como “Congênito”, “Magrelinha” e “Amor”, além de músicas de Caetano Veloso, Djavan e Ana Frango Elétrico. A banda conta com Rodrigo Campos (guitarra e cavaquinho), Danilo Penteado (baixo), Arquétipo Rafa (bateria e percussão) e Filipe Nader (saxofone e clarinete). Entre ensaios, peça e filme, Malu admite estar exausta. Mas resume sua disposição: “Quando é um projeto que você tem muito amor, uma coisa que você tem muito apreço, você dá um jeito de encaixar”. Afinal, aos 54 anos, ela não ganhou apenas um microfone: ganhou um novo começo artístico.

“Nasa de Flávio” já vê risco de virada

N

as trincheiras digitais de Flávio Bolsonaro, uma das principais tarefas do momento é vasculhar o passado para tentar antecipar o futuro. A equipe de inteligência eleitoral do senador mergulha em resultados de eleições brasileiras e estrangeiras, cruza estatísticas e examina estudos acadêmicos em busca de uma resposta: em que condições Lula poderia virar o jogo no segundo turno? Trata-se de um exercício de rotina para a sofisticada engrenagem tecnológica da campanha, a chamada “Nasa de Flávio”, que não pretende deixar nenhum cenário fora do radar. O retrospecto brasileiro joga a favor do candidato do PL. Desde a redemocratização, ninguém que ter-

minou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu vencer a eleição presidencial. O mergulho em disputas internacionais, contudo, oferece uma perspectiva diferente. Quando a distância entre os dois primeiros colocados ficou abaixo de dois pontos porcentuais, houve virada em quase 46% dos casos. É o risco que Flávio começou a enxergar, mesmo supostamente. Ele chegou ao segundo turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. São 2.224.965 votos de vantagem, ou 1,87 ponto porcentual, a menor diferença entre os dois primeiros colocados desde 1989. Seus estrategistas examinarão agora o que pode acontecer dentro e fora desse roteiro. Quem viver, verá.

R$ 454 mil em diárias

As poucas horas que Lula passou em Nova York – menos de 48 horas – para discursar na abertura da Assembleia Geral da ONU deixaram uma conta arrasadora para o contribuinte pagar. Só em diárias para custear a opulenta comitiva, o brasileiro teve de desembolsar R$ 454.588,18. A

viagem foi em setembro, mas a fatura dos gastos com os assessores só foi liquidada neste mês. As diárias militares representam a maior parte da conta: R$ 266.877,07. As diárias civis foram menores: R$ 187.711,11. Com a tripulação, gastaram-se outros R$ 61,2 mil com hospedagem.

Exceção brasileira

O histórico presidencial brasileiro conta outra história. Desde 1989, houve sete eleições decididas em segundo turno: 1989, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022. Em todas, venceu quem havia chegado à frente no primeiro turno. Nenhuma virada em sete disputas, diante das frequências próximas de 30% nas séries internacionais. Há uma diferença, todavia, entre aquelas eleições e a atual: nunca os dois primeiros colocados chegaram tão próximos no segundo turno. Em 2022, Lula abriu 5,23 pontos porcentuais de vantagem sobre Jair Bolsonaro. Em 2014, Dilma Rousseff terminou a primeira votação 8,05 pontos à frente de Aécio Neves. Em 2006, a vantagem de Lula sobre Alckmin foi de 6,37 pontos. Flávio entra na reta final com uma distância muito menor.

MISTURA FINA

Caso a vitória de Flávio Bolsonaro se confirme no segundo turno, três mulheres já são consideradas para assumir uma das vagas que poderão se abrir no Supremo Tribunal Federal (STF): Angela Gandra, advogada e filha do jurista Ives Gandra Martins; Gabriela Hardt, juíza federal que foi responsável por processos da Lava Jato; e Marianna Fux, desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e filha do atual ministro do STF Luiz Fux.

Jurista e antiaborto, Angela Gandra integrou a equipe do governo de Jair Bolsonaro como secretária nacional da Família, em 2019. Gabriela Hardt é lembrada pela atuação nos julgamentos da Operação Lava Jato e na condenação de Lula. Marianna Fux é considerada por aliados de Flávio e tem sua atuação como desembargadora no Rio de Janeiro elogiada.

Carisma em outro país

Quem nunca viu uma apresentadora derrubar uma pizza ao vivo e continuar sorrindo? Viviane Romanelli, de 64 anos, transformou o desastre em marca registrada na TV Shoptime, onde brilhou por oito anos. Sua rosquinha queimada parou o estúdio inteiro. Se fosse hoje, teria virado meme. Ela mudou de país, mas levou na mala o talento para vender – e a memória afetiva de milhares de telespectadores! A jornalista vive em Orlando, nos Estados Unidos, onde apresenta o “Breaking Fast”, programa matinal da Connect USA, que tem como sócio majoritário Dony De Nuccio. Após mais de 30 anos de visitas ao país, decidiu ficar perto

da filha e dos netos americanos. Jornalista de formação, ela passou pela Band, TV Aparecida e RedeTV!, mas a “veia de vendedora” e a saudade do Shoptime falaram mais alto. Viviane gravou o piloto do Connect Shop, projeto de televendas que promete unir demonstrações ao vivo, convidados e bom humor. “Eu sou jornalista formada. Depois que eu saí do Shoptime, eu fui trabalhar fazendo entretê, mas a veia de vendedora permaneceu”. Conhecida pelos improvisos e pelas receitas desastradas, agora, a missão é conquistar novas telas sem perder a velha receita: credibilidade, carisma e nenhuma rosquinha queimada!

Rampa e faixa

Flávio Bolsonaro vem repetindo que seu pai, Jair Bolsonaro, ex-presidente condenado por tentativa de golpe de Estado, subirá com ele a rampa do Planalto e será quem lhe colocará a faixa presidencial. Algum tipo de perdão já estaria sendo preparado para Bolsonaro e os generais condenados pelo mesmo golpe. O País reverteria o maior avanço constitucional, que foi romper com a tradição de não responsabilizar militares que atentam contra a ordem constitucional. Por outro lado, o decreto de indulto não abre facilmente a porta da prisão. Os advogados devem peticionar sua soltura ao juiz supervisor do caso, Alexandre de Moraes.

Muita gente do setor de petróleo está mais do que desconfiada de que a Petrobras, no leilão de blocos do dia 7, deu uma mãozinha ao governo em um momento de crise fiscal aguda. A estatal chegou a dar um lance de R$ 754,2 milhões por um bloco na Bacia de Campos que tinha preço mínimo de R$ 3,5 milhões, um ágio-surpresa de nada menos que 21.000%. Nesse leilão, dos R$ 3,5 bilhões em bônus arrecadados, dinheiro que vai para o Tesouro, R$ 3,2 bilhões saíram da Petrobras.

IN

Suco de cenoura com laranja

OUT

Suco de cenoura com couve

COLABORAÇÃO: PAULA RODRIGUES