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POLÍTICA 4 Recife, sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Operação mira desvio de emendas em Ipojuca
Operação da Polícia Civil de Pernambuco investiga suspeita de corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e falsidade documental
PORTAL FOLHA DE PERNAMBUCO
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Câmara Municipal de Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife (RMR), voltou a ser alvo de operação da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), ontem. A corporação realizou a Operação Alvitre III, que apura organização criminosa suspeita de corrupção passiva, peculato, lavagem de dinheiro e falsidade documental a partir de recursos milionários destinado a projetos e entidades. Ainda apura a possível relação do grupo com o homicídio de uma mulher após ida à delegacia de Porto de Galinhas, em 2025. Sob a responsabilidade do delegado Ney Rodrigues, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão domiciliar, de ordens judiciais de sequestro de bens, bloqueio de ativos financeiros no valor de R$ 1.227.800, além da suspensão do exercício de função pública, expedidos pela Vara Criminal da Comarca de Ipojuca. Além da Câmara, endereços nas cidades de Paulista e do Cabo de Santo Agostinho também foram alvos da operação. Segundo a PCPE, a ação dá continuidade às investigações que buscam identificar e desarticular uma organização estruturada em desvio
sistemático de recursos públicos em Ipojuca. A corporação destacou que o crime ocorria com o direcionamento de emendas parlamentares e a utilização de entidades do terceiro setor. “Nesta fase, as investigações concentram-se especialmente na Associação Mudart, apontada como instrumento para recebimento e circulação de recursos públicos, com indícios de atuação coordenada entre parlamentares e seus assessores, advogados, empresários, contador e particulares”, afirmou a PCPE, que não divulgou nomes.
INVESTIGAÇÃO
A corporação ressaltou que, entre 2017 e 2024, os repasses da Mudart somaram R$ 1,2 milhão. Dois projetos analisados - o Sopro de Esperança e o Buscando Talentos - concentraram R$ 480 mil em recursos. As análises indicaram incompatibilidades entre o plano de trabalho e a execução financeira. Em setembro de 2025, a polícia recebeu o registro formal sobre a exigência de vantagem indevida. No mês seguinte, uma mulher, identificada como Simone Marques, foi assassinada em casa após deixar a unidade policial de Porto de Galinhas. Ela teria ido ao local prestar depoimento no inquérito que investiga desvios de verbas de emendas parlamentares. As investigações passaram a ampliar o foco para os papéis funcionais e movimentações financeiras de três entidades que, juntas, tiveram fluxo financeiro de R$ 16,7 milhões. A reportagem tentou entrar em contato com a Câmara de Ipojuca, mas não obteve retorno. O vereador da cidade Gilmar Costa divulgou nota afirmando que estava “à disposição das autoridades para colaborar” e que respeita os trabalhos da Polícia Civil.
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